Arquivo da categoria ‘Umbigo’

Nem sei

Janeiro 18, 2008

Ontem tava arrumando o quarto, desencavando gavetas e tirando o pó das memórias. Muita coisa do Evolutivo, muita coisa do CEFET. Meu primeiro conto, de 8 páginas, sobre um dragão. Cartas antigas. Textos que nem parece que eu escrevi. Um diário que não resistiu a minha indisciplina (de rotina e de sentimento).

Arrumar o quarto é uma coisa em si tão simbolizável e metafórica e já se falou tanto sobre isso que não me ocorre nada mais a dizer. Só que me livrei de uma caixa cheia de papel e isso não pesou nem elevou nada em mim. Foi mais como transladar os ossos de velhas lembranças. Mas chamou a atenção a asa de borboleta jogada num canto do quarto, sobre a sujeira. Me pergunto se a dona simplesmente a perdeu por lá ou se era mesmo um pedaço de uma lembrança qualquer que me escapou da cabeça no redemoinho de papel. Seja como for, foi para o lixo, com a poeira. Espero que me desculpe um dia.

Voltando nos passos

Janeiro 12, 2008

De volta ao Aracati e daqui pra Fortaleza, após minha breve e proveitosa estadia em Mossoró, terra do pastel no café da manhã, do sanduíche de coxinha, do cachorro-quente de meio quilo e do arroz de leite com paçoca.

Não sei vocês, mas minhas férias em geral se dividem em três estágios. Primeiro, aquela letargia braba de uma semana, repleta de sono e do consumo desenfreado de livros e DVDs. Depois, vem a coceirinha no avesso da cabeça- aquela vontade de nem-sei-o-quê de onde nascem contos, desenhos (ainda que de palito) e fanzines. Não à toa, depois das férias eu tenho uns dois ou três zines novos, sempre. E, por fim, vem a fase que parecem férias mesmo, com praia, bola de vôlei, areia no calção, primos malas e todo o sonho burguês de descanso e relaxamento.

Essas férias foram as primeiras em que aconteceu tudo diferente. Digo, não exatamente diferente, mas com algo a mais. Afinal- e isso deve ser sintoma de crescimento- pela primeira vez as férias não parecem o fim nem o começo de nada. São só um pedaço do grande todo que vem a ser meu futuro. Trabalhei, ganhei dinheiro, viajei, dormi pacas… mas com outros olhos, de outro jeito.

Difícil de explicar… Como todas as grandes mudanças, essa aconteceu só na minha cabeça. Mas, você bem sabe, se mudar seu jeito de ver o mundo, o mundo todo muda, nem que seja só pra você.

Adeus Ano Velho…

Dezembro 29, 2007

Falando diretamente do Aracati, com um teclado ruim e um mouse pior ainda. Decreto oficialmente minhas férias, ao menos deste blog. As Aventuras do Boneco de Palito continuam rendendo, bem como dois zines em fase de produção. Bom Ano Novo pra todos os compadres e comadres sangue-bom.

O texto aí é do zine “Coisas que habitam no fim do caderno”, que virá à luz amanhã. Não percam, heim?

Trabalhava furiosamente, batendo nas teclas do computador; nem reparou quando a mulher entrou voando pela janela. Ela ofereceu café, mas teve que perguntar ainda duas vezes antes de receber resposta que não, agora não, tô ocupado. A cabeça virada à esposa, mas os olhos apertados fixos na tela.
A mulher olhou-o por algum tempo ainda, balançou a cabeça de leve num gesto de amuo não notado e saiu, batendo os braços, janela afora.
Duas ruas depois, foi atingida por uma pedra de baladeira e caiu, em espirais descendentes.

Entre Natal e Ano Novo

Dezembro 27, 2007

jesuspopstar.jpg

Haverá época mais morgada que essa? Passadas a ceia e a dor-de-barriga do Natal, preparamo-nos para a ceia e indigestão do Ano Novo. Os estudantes já morgaram o começo das férias, os trabalhadores já xingaram o fim do trabalho, os buffets já riram bem alto.

Mas tem uma coisa, não sei se todo mundo reparou. Já notaram que o Natal é cada vez menos Natal? E o Ano Novo? Não quero parecer tradicionalista nem dizer nada que comece com “no meu tempo…”, mas está acontecendo um tipo de mudança de valores. Os feriados já se tornaram, há muito, desculpas para encher a cara e dormir muito. Esse é o caráter principal de todos eles. Tomemos, por exemplo, o natalício de Jesus: até aquele conjunto habitual de clichês (espírito natalino, Deus entre nós, paz e tudo o que nos empurravam infância abaixo nessa época), perdeu muito a força. Ficou tudo mais prático, mais consumível. Mudou alguma coisa ou minha visão é que mudou? Porque não lembro de ter ouvido no dia 25 nenhuma menção ao aniversariante do dia, mas muitas à neve e ao Papai Noel distribuindo presentes na América do Norte. Será que trocaram o motivo da festa e ninguém me avisou? Esse Natal foi o mais violento em dez anos. E a paz na Terra aos que acreditam no Senhor?

Sei não, deve ser a vida moderna…  Durkhein disse que essas festas eram mecanismos para unir a sociedade, reafirmar os laços (citando de memória). Talvez a “desnatalização” do Natal seja um sinal de nosso individualismo pós-moderno (ou seja lá que nome dão a isso), ou simplesmente o modelo a ser seguido pela sociedade tenha se modificado para “mesa com peru, presentes e familiares entediados”. Do significado, nem sombra.

Agora é só esperar e ver se o Ano Novo segue o mesmo caminho ou se ainda existem coisas como promessas para o ano que vem e avaliação do ano que passou. Porque, você sabe, no meu tempo…

Porque é domingo e eu tô sozinho pensando na vida

Dezembro 15, 2007

Sabe, o problema nem é crescer, essa é a parte fácil. Basta deixar o tempo seguir seu curso e te arrastar junto. Crescer não é mais que isso: ganhar centímetros. Difícil é amadurecer, ser relevante para o que te cerca. Trabalhar não parece suficiente, nem ser esponsável, bom aluno, bom filho, saber o que quer da vida. Tem um algo a mais se escondendo por aí, em tudo o que não se fez ou que não se sabe que pode ser feito.

Fosse outro tempo, era mais fácil. Você passava por um rito de passagem, matava um bicho grande, sei lá, e casava aos dezesseis. Pronto. Comida, abrigo, companhia e propósito de existência, tudo mais fácil. E só doía uma vez.

Agora é outra história. Parece que a sofisticação do mundo moderno tem muito a ver com diluir venenos. Diluíram a dor de crescer em vários anos, um despertar longo e algo doloroso. Quando você acha que já passou a parte desagradável de levar foras, descobre que há o sexo. Quando toma a consciência de que é importante estudar e se conforma a oito anos de escola, descobre que ainda vai passar por uma faculdade e trabalhar e se foder, de maneira geral.

Não que crescer seja ruim em si, é bem legal, às vezes- você acaba descobrindo que sexo é muito bacana e as garotas que não te dão fora podem ser bem mais legais que as que dão. Que responder por seus atos é melhor e mais gratificante do que se pensa e que ser uma pessoa boa tem mais a ver com ser gentil com os outros que ir à Igreja todo domingo. Mas é preciso ir de cabeça erguida, com vontade de trabalhar.

É só que tem tanta coisa faltando, coisas que eu achava (ainda acho) importantes. Parar e estar, encontrando o maravilhoso nas brechas da (pós?) modernidade. Anda tão difícil ser, estar, sem mais que isso. Ficar parado é contra a ética protestante (que, longe de protestar, somente perpetua). Queria não me sentir ficando pra trás. Ser feliz sem me exigir, ter direito de ser quem quero sem ter que competir com ninguém.

Os tempos mudaram muito. Matar um bicho grande, hoje, seria um dilema ético, anti-ambientalista. Ninguém mais casa aos dezesseis (mas engravida-se muito). Ritos, só há os de conforto. Quem quer a dor, no fim das contas?

Mas nem era isso que eu queria dizer…

Novembro 24, 2007

É mais ou menos assim:
Primeiro, os trabalhos são todos fáceis. Pro fim do semestre, imagina se eu vou esquentar com isso, ainda faltam uns dois meses e milhares de anos… Mas o tempo vai passando, a matéria acumula e de repente você lembra daquela quase-monografia-enorme pra nota final. Vai pensando no objeto, joga alguma coisinha no Google e deixa pra “lapidar” mais tarde- afinal, já está tudo encaminhado.
Mas chega o bendito fim de semestre (aquele, que parecia estar do lado de lá da Era de Aquário) e não tem nada pronto ainda.  A sensação é a ser pego em flagrante. Não há nenhum bom motivo  pra não ter feito antes, não é? De toda forma, o negócio agora é correr: catar referências, traçar um plano, resgatar o que já havia sido esboçado um tempão atrás e descobrir que tem que começar de novo.
Até aí, tudo bem. O problema é que não é um trabalho só, não é só um livro esperando para ser lido, nem há professores que entendam a sua carga de trabalho a ponto de não passar prova.
Mas é isso aí, a culpa é sua. Agora seja maduro e se esforce. Pesquise, leia, teorize se necessário- até o dramático momento de escrever tudo.
Aí a porca torce o rabo. É tanta coisa que nem se sabe por onde começar. “Como era mesmo que aquele cara dizia? Vou ter que reler… péra, deixa ver na Wikipédia. Mas e esse pedaço?” O trabalho evolui num crescente desespero. Há muitas referências, visões, caminhos… Quem mandou ler só resumo? Devia era assistir aula. “Merda de texto… Vou re-escrever…”
Daí já é uma da manhã, não tem texto, não tem esperança. Só resta o msn. Termina-se tudo domingo, um dia inteiro de trabalho dedicado. É fácil, vai dar tudo certo. Amanhã é o dia.

Sempre assim…

Novembro 15, 2007

 gilete.jpg

-Sabe, Márcio, tem horas que um homem- um homem de verdade- precisa parar de pensar. Porque, você sabe, pra ser um homem não basta só ter volume na cueca. Um homem tem que ter princípios, valores.
Às vezes você tem que refletir sobre a sua vida; o que você já fez até agora, o que ainda pretende fazer… Saber reconhecer os erros e planejar os acertos. Tem que haver um momento em que você olhe no espelho e se pergunte o quê, afinal, está fazendo consigo mesmo e se isso está te fazendo bem. Tem que…

-Tá bom, pai, eu vou tirar a barba.

-Ah, beleza. Que bom que nos entendemos.

(esse diálogo não aconteceu exatamente assim, mas, conhecendo papai, poderia ter acontecido. E essa peça é um anúncio de 1951, quando o capitalismo ainda apelava para sonhos ingênuos de desenvolvimento e rock’n'roll) 

Novembro 10, 2007

Noite de dançar, pular, ver gente, fazer besteira, acabar com a garganta, ter a satisfação de ver bandas locais fazendo um som legal, lembrar coisas antigas trazidas pelos versos do Amarante, xingar a Ludmila Amaral quando ela errava as letras das músicas, matar e sentir saudades, virar momentos do avesso, ver o La Scène ao vivo pela primeira vez num show quase particular, olhar pro teto no meio da canção e ver o céu, sentir o dia chegando na praia devagar, chegar em casa de manhã e dormir envolto em absolvição.

Muito bom o Tributo ao Los Hermanos, ontem, na Master Beach. O que mata é lembrar que, refeito o corpo e firmes as pernas, a vida volta ao normal….

Outubro 17, 2007

Publicidade segundo Tim Hunter

Acabei de ler isso num número de Livros da Magia e, sabe, calhou com coisas que andavam pela minha cabeça. Não, eu não acho que pessoas que fazem publicidade sejam emocionalmente perturbadas- pelo menos não todas. É só que essa é uma profissão muito, muito complexa. Se for perguntar, provavelmente você vai acabar achando quem lhe diga que é uma profissão muito divertida, que é extremamente extenuante, que é necessário muita disciplina, que é preciso inspiração, que não existe inspiração, que é preciso conhecer tudo, ou só um pouco de tudo, ou tudo e mais um pouco…

A impressão que tenho é que da faculdade conhecemos o universo publicitário como que através de um boato: histórias se misturam a opiniões, impressões, mais histórias. Numa aula posso me empolgar e querer ser o maior publicitário do mundo, na outra me toma um terrívl desânimo com essa profissão dos infernos. Deve ser a tal crise universitária, não sei…

Coisas bacanas

A lista de discussão designGráfico, uma comunidade muito bacana de designers brasileiros, promove uma exposição virtual permanente de seus membros e colaboradores. Vale para iniciantes no design e para ver o que se anda fazendo por aí- e você também pode mandar seus trabalhos.

O endereço da exposição é http://www.flickr.com/photos/dg-minicartaz

Faz um tempão…

Julho 29, 2007

São 18:14h de Domingo e eu tenho uma gloriosa conexão a rádio. Estou no Aracati, terra de meus ancestrais e de minhas vovós- a cidade encantada onde a Jarra de Suco de Caju nunca seca e não existe o desumano suplício de Lavar Louça, além de ter o melhor sorvete de um real da galáxia.

Andei meio fora do ar, primeiro por causa do Seminário Cabeças de Papel, que aconteceu entre 17 e 21 de julho e depois por pura preguiça. Mas agora já tá passando. Em agosto sai um zine novo, o Cheiro de Nada, e, espero, o blog volta a andar. Vou tentar superar minha inaptidão crônica em lidar com duas mídias ao mesmo tempo.

Issaí. Férias.