Arquivo da categoria ‘Toda a cura para todo o mal’

Bela esbórnia

Fevereiro 1, 2008

 Uma compreensível impaciência pra esse blog. Bem, de qualquer modo, rinite sempre me deixa meio surrealista. Mas olha só, depois do feriado eu conto tudo. Ouve aí, que é legal.

Alcatraz Song

Fellini

 

- Não, eu não quero sopa de pato.
- Is Your Friend A Crazy Chicken?
- Não sei… É o mundo das sombras chinesas…
- Um lugar, no entanto, bastante prosaico…
- …que você pode guardar numa casca de noz…
- …ou debaixo da sola do seu sapato…

(Bela carranca
na TV por cabo…
É…
de novo!
Uma vez só é pouco)

Eu sei, não é fácil
Você fez aquela famosa viagem de gaiola
pelo São Francisco
E agora…Alcatraz, cercada de bandidos por todos os lados…
Como é que você se sente?
Uma condessa de Hong Kong?
Uma condessa descalça?
Uma condessa cada vez mais longe?

(Bela carranca
na TV por cabo…
É…
de novo!
Uma vez só é pouco)

Ansiedade

Janeiro 22, 2008

Quero escrever um poema que tenha somente o começo
e se estenda em significados pelo infinito.
Que carregue em si o frio de nervoso
na barriga e aquela inebriante ansiedade
obsessiva que dá antes de se saber no chão.
Meu poema terá em si o mistério dos olhos cegos
e a intenção dos que se escondem atrás de óculos escuros
e a dúvida do toque, talvez acidental, dos joelhos que se encontram.
Terá sabor de insônia e o som da ilusão
(algo como vidro em solo de clarineta)
e um travo de desespero em suspensão.
Ah, sim, meu poema será belo como nunca houve
porque, de fato, não há de existir.
Meu poema é o que se espera
feito de ânsia e fome e promessa
é a carta que nunca chega
é o corpo que nunca pesa

meu poema é terrível por ser morte e doce por ser amante
é ansiedade

Outubro 20, 2007

Um dos motivos para se manter vivo é que, quando menos se espera, alguém bola alguma coisa genial que te faz ficar extático de novo

Coisas musicais

“Meio-dia na rua da Harmonia” – Parafusa
“Idem” – Móveis coloniais de Acaju
“Amor e Pastel” – Mula Manca e a Fabulosa Figura
“In Rainbows” – Radiohead
Bandas conscientes, todas com músicas disponíveis de graça no site, sem que tenhamos que praticar a criminosa e tediosa tarefa de baixar pelos e-mulas da vida. Agora, dentro da malévola Indústria Cultural…

“The Flying Club Cup” – Beirut
“Céu” – Céu
“Fome de tudo” – Nação Zumbi
“Condom Black” – Otto

… e tá bom, né?

Coisas impressas

“O grande Mentecapto” – Fernando Sabino
“A bolsa amarela” e “O sofá estampado” – Lygia Bojunga
“A Ilha” – Aldous Huxley

E vê se pára de reclamar que não tem nada p’ra fazer!

I’m talkin’ about freedom!

Julho 4, 2007

Fim do semestre! Passei em Economia por milagre, não passei em Sociologia ainda, mas não há nada que se possa fazer além de esperar a nota final. Ou seja, acabou o tempo de bicho, o stress com trabalhos, as preocupações em geral. Acabaram coisas bacanas também, como as aulas do Riverson (de Informática) e do Gilmar (de Introdução à Comunicação)- deles levo muitos conhecimentos, lembranças e, do último, um chaveiro, presente por ter obtido dez no trabalho final.
No fim, as coisas boas predominam. Apesar de ter passado uns dois dias ruim do estômago (parecia que tinha fundo de rio na barriga), atravessado uma crise alérgica e ter suportado uma espinha particularmente sádica nas costas, o mundo é bonito e luminoso. A crise da aviação é bonita e luminosa, a liseira é bonita e luminosa, a crise ética da imprensa é bonita e risível.

Eu nunca havia entendido porque férias, afinal, são tão legais. Mas é porque eu nunca havia estudado de verdade.

Para passar o
tempo…

(Porque o mundo é o molusco de sua escolha!)

Música
Nação Zumbi (Futura), Arnaldo Antunes (Qualquer), Orquestra Imperial (Carnaval só ano que vem…)/font>

Filmes

Fonte da Vida, Grande Truque, todos do Tim Burton

Livros

A chave do Tamanho (Monteiro Lobato), Na Prisão (Kazuichi Hanawa), As Veias Abertas da América Latina (Eduardo Galeano)

Junho 19, 2007


Antes que eu esqueça!

A Fernanda Meireles e o Bob estão com uma exposição de quadros e postais muito bacanas lá no Café Lua (em cima da Livraria Lua Nova, pertinho do Benfica). Vai de meio-dia a não sei que horas até o dia 30. E no fim, dá pra comprar um pacote com 15 postais dos dois (pena que o dia dos namorados já passou…).

Muito bom.

Um filme no close pro fim…

Junho 15, 2007

extraído dos sites Sobre Música (artigo) e O Povo (informações adicionais)

los1

A última temporada do Los Hermanos antes de entrar no tal “recesso por tempo indeterminado” foi marcada pela alegria e complacência dos fãs, mais do que pela tristeza, revolta ou sentimento de perda. Parece que passada a ressaca que o comunicado oficial causou, os admiradores do grupo passaram a “confiar” nas reiteradas afirmações de que esse momento é apenas um “até logo” e não um “adeus” definitivo. Foram três apresentações que arrastaram cerca de 10 mil pessoas para a Fundição, se considerarmos que a capacidade do local é de 5 mil e que muita gente não se contentou em ver um dia apenas.

A mini-temporada foi uma grande celebração dos oito anos em que a banda passeou por grandes palcos. Afora o numeral desenhado na tampa do bumbo de Rodrigo Barba, não havia nenhuma citação à turnê do disco “4”. Foram shows especiais, com repertórios diferentes a cada dia, e que tiveram como cenário apenas a cortina atrás dos músicos. Camelo e Amarante comandaram a retrospectiva que recuperou momentos tão longínquos quanto a presença dos terninhos no figurino, as canções executadas sem a presença dos músicos de apoio e ainda preciosidades como “Onze dias”, “Azedume”, “Descoberta”, “Tenha dó” e “Lágrimas Sofridas”. Esta última estava tão distante no inconsciente do público que Camelo ficou algum tempo sozinho, na penumbra, conduzindo os acordes em contratempo até que a platéia se ligasse e entendesse do que se tratava. Ao mesmo tempo em que a visita ao repertório do primeiro disco incendiou os fãs, também serviu pra deixar mais claro porque a banda tinha tanta relutância em apresentá-lo recentemente. De fato, as composições e os arranjos do álbum lançado em 1999 estão muito distantes do resto. Das 55 músicas gravadas, 35 foram incluídas no set-list alternadamente. O grupo se esforçou pra manter o clima de festa e o que se viu foi uma preponderância das músicas com andamentos mais rápidos às baladas.

Isso gerou efeito direto na platéia. Nada de sentimentalismos. O máximo que se ouviu foi um grito, como os de estádios de futebol, no fim da terceira noite: “Ahhh, Los Hermanos vai voltar… Los Hermanos vai voltar…”. Estádio de futebol. Tá aí uma boa comparação para o que se tornou a Fundição (e todos os outros palcos por onde o grupo passou em mais de 500 apresentações). A torcida era uma só, empurrando o time. Amigos marcavam de se encontrar pra torcer juntos. Outros, mais solitários, iam sozinhos, mas rapidamente se abraçavam com quem estava do lado para cantar junto. O nome da banda parece sempre ter servido para definir seus fãs.

Tal qual muita gente – inclusive este que digita estas linhas – se ressente por não ter visto Renato Russo no palco, a saudade do que não se viu também há de se abater sobre uma nova geração que descobre, aos poucos, a obra dos Hermanos. Apesar dos fãs de sempre, era possível observar na Fundição muita gente que nunca ouviu uma fita-demo, nem tampouco tinha idade para ir a um show em 1999. A renovação do público já é visível. A consistência da obra dá a certeza de que o passar do tempo pode ser apenas um detalhe para a arte.

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Quando o assunto é Los Hermanos, falar em “intenção” é sempre meio caminho pra ser desmentido daqui a dois segundos. Mas o que se observou nesses shows foram que, além de se confraternizar e encerrar um ciclo junto de seu público, o grupo quis (?) mostrar que não havia brigas, nem desentendimentos graves, por trás da decisão tomada. Durante todo o tempo, Barba, Camelo e Amarante trocavam sorrisos cúmplices. Lógico que quando o assunto é sorriso, você pode excluir a sobriedade de Bruno Medina, sempre. Mas ainda assim, os quatro aparentavam estar com as pendengas internas bem solucionadas e tranqüilos sobre a decisão tomada.

E é isso. O último disco da banda já tinha avisado, a quem quisesse ouvir, qual seria o próximo momento deles. “E agora o amanhã, cadê?”, perguntava Camelo em “Dois barcos”, música cujo título era a melhor metáfora para definir o que o grupo vivia artisticamente. Amarante respondia que “se a gente já não sabe mais rir um do outro, meu bem, então o que resta é chorar. E talvez, se tem que durar, ver renascido o amor, bento de lágrimas”. É esperar pra ver. Só resta a certeza de que foi bonito pacas enquanto durou.

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O que acontece agora?

Bruno Medina estréia o blog Instante Posterior, no G1. Marcelo Camelo participa do acústico Sandy e Júnior (é verdade, sim; ele vai produzir!). Rodrigo Amarante, que também é membro da Orquestra Imperial, prepara-se para lançar disco em breve do grupo.

Los2

Aponta p’ra fé e rema…

Junho 12, 2007

Para fazer da vida um suplício mais bacana!

Música: Kassin +2 (Futurismo), Mombojó (Homem-Espuma), Paralamas do Sucesso (Hoje)

Livros: O Guia do Mochileiro das Galáxias (os cinco), Douglas Adams

Filmes: O Labirinto do Fauno, Piratas do Caribe- No Fim do Mundo (hoje e sempre!)