Posts de Janeiro, 2008

Conversas

Janeiro 31, 2008

-Ó, aquele ali é Saturno.
-Aquele com os anéis?
-É.
-…
-Bonito, né?
-Parece uma logomarca!
-…
-…
-Putz! é mesmo!

Ansiedade

Janeiro 22, 2008

Quero escrever um poema que tenha somente o começo
e se estenda em significados pelo infinito.
Que carregue em si o frio de nervoso
na barriga e aquela inebriante ansiedade
obsessiva que dá antes de se saber no chão.
Meu poema terá em si o mistério dos olhos cegos
e a intenção dos que se escondem atrás de óculos escuros
e a dúvida do toque, talvez acidental, dos joelhos que se encontram.
Terá sabor de insônia e o som da ilusão
(algo como vidro em solo de clarineta)
e um travo de desespero em suspensão.
Ah, sim, meu poema será belo como nunca houve
porque, de fato, não há de existir.
Meu poema é o que se espera
feito de ânsia e fome e promessa
é a carta que nunca chega
é o corpo que nunca pesa

meu poema é terrível por ser morte e doce por ser amante
é ansiedade

Nem sei

Janeiro 18, 2008

Ontem tava arrumando o quarto, desencavando gavetas e tirando o pó das memórias. Muita coisa do Evolutivo, muita coisa do CEFET. Meu primeiro conto, de 8 páginas, sobre um dragão. Cartas antigas. Textos que nem parece que eu escrevi. Um diário que não resistiu a minha indisciplina (de rotina e de sentimento).

Arrumar o quarto é uma coisa em si tão simbolizável e metafórica e já se falou tanto sobre isso que não me ocorre nada mais a dizer. Só que me livrei de uma caixa cheia de papel e isso não pesou nem elevou nada em mim. Foi mais como transladar os ossos de velhas lembranças. Mas chamou a atenção a asa de borboleta jogada num canto do quarto, sobre a sujeira. Me pergunto se a dona simplesmente a perdeu por lá ou se era mesmo um pedaço de uma lembrança qualquer que me escapou da cabeça no redemoinho de papel. Seja como for, foi para o lixo, com a poeira. Espero que me desculpe um dia.

Rainha do Lar

Janeiro 15, 2008

Saía o marido para o trabalho e ela se estendia lânguida no próprio tédio. Entre as paredes da grande casa, passava os dias, todos lhe parecendo uma grande tarde modorrenta. No início não era assim: tinha um pequeno jardim nos fundos, o longo gramado na entrada, sabia os pratos favoritos do marido e os preparava com carinho; cuidava, enfim de seu lar. Mas a vida de dona-de-casa não agradava e logo veio a primeira empregada. Depois, o jardineiro, para cuidar da grama onde nunca mais ninguém sentaria. Então a cozinheira, que sempre errava a mão no sal e arrancava diários resmungos do patrão.

Sem o serviço de casa, ela trocou as crises domésticas pelas existencias. Lia revistas sobre roupas de grife e vida simples, espiritualidade e orgasmos. Fazia yoga e relaxamento e, nos fins-de-semana, quebrava dietas e ia ao shopping. Com o passar do tempo, porém, deixou-se deslizar ao fundo da profunda letargia que a rodeava. Passava seus dias deitada em meio a correria dos empregados, distribuindo ordens e gerindo a casa como uma rainha. Contratou homens para preparar seu banho de leite e dar-lhe prazer, e mulheres para cobrir com lençois de seda a grande cama onde deitava-se com os amantes e preparar ricas iguarias que lhe matassem a fome. Saía de seu mundo particular de luxúria apenas para receber o marido, não sem enfado, na chegada do trabalho.

Até o dia em que mandou cortar a cabeça de uma das criadas, por não se curvar em sua presença. Quando o marido chegou em casa, à noite, encontrou a guilhotina a sua espera. Ordens da rainha-mãe da monarquia recém-instaurada.

Voltando nos passos

Janeiro 12, 2008

De volta ao Aracati e daqui pra Fortaleza, após minha breve e proveitosa estadia em Mossoró, terra do pastel no café da manhã, do sanduíche de coxinha, do cachorro-quente de meio quilo e do arroz de leite com paçoca.

Não sei vocês, mas minhas férias em geral se dividem em três estágios. Primeiro, aquela letargia braba de uma semana, repleta de sono e do consumo desenfreado de livros e DVDs. Depois, vem a coceirinha no avesso da cabeça- aquela vontade de nem-sei-o-quê de onde nascem contos, desenhos (ainda que de palito) e fanzines. Não à toa, depois das férias eu tenho uns dois ou três zines novos, sempre. E, por fim, vem a fase que parecem férias mesmo, com praia, bola de vôlei, areia no calção, primos malas e todo o sonho burguês de descanso e relaxamento.

Essas férias foram as primeiras em que aconteceu tudo diferente. Digo, não exatamente diferente, mas com algo a mais. Afinal- e isso deve ser sintoma de crescimento- pela primeira vez as férias não parecem o fim nem o começo de nada. São só um pedaço do grande todo que vem a ser meu futuro. Trabalhei, ganhei dinheiro, viajei, dormi pacas… mas com outros olhos, de outro jeito.

Difícil de explicar… Como todas as grandes mudanças, essa aconteceu só na minha cabeça. Mas, você bem sabe, se mudar seu jeito de ver o mundo, o mundo todo muda, nem que seja só pra você.

2008

Janeiro 1, 2008

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Feliz 2008 pra todo mundo!

Abrindo o ano que começa, um post sobre Publicidade, pra lembrar do nobre ofício e do curso que vai estar me esperando mês que vem.

Tava no Vertigem baixando umas HQs quando parei pra reparar nos anúncios do site de compartilhamento, o 4shared. Fiquei embasbacado. Os anúncios são na forma de mini-jogos, onde você só tem que apertar um botão. Inocentemente, parei pra jogar, clicando furiosamente na busca da vitória sobre meu adversário virtual. Em meio à empolgação, nem reparei quando o jogo acabou e venci. Então, sem parar de clicar, acabei indo direto ao site da empresa anunciante.

Aí saquei o truque: no embalo do jogo, o anúncio nos fazia clicar inconscientemente num link para o site. Ah, pensei, então nem jogo mais. Mas é quase impossível. Naqueles poucos segundos, enquanto o site carregava o arquivo para download, o joguinho piscava me chamando, mostrava minha derrota, feria meu orgulho. Toda vez que entrava no 4shared, por um bom tempo, não resisti ao seu apelo e acabei acessando, contra a vontade, o site anunciante várias vezes.

O potencial desse tipo de anúncio é realmente enorme e todos que se interessam por publicidade deviam dar uma olhadinha.

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