Posts de Novembro, 2007

Novembro 24, 2007

É mais ou menos assim:
Primeiro, os trabalhos são todos fáceis. Pro fim do semestre, imagina se eu vou esquentar com isso, ainda faltam uns dois meses e milhares de anos… Mas o tempo vai passando, a matéria acumula e de repente você lembra daquela quase-monografia-enorme pra nota final. Vai pensando no objeto, joga alguma coisinha no Google e deixa pra “lapidar” mais tarde- afinal, já está tudo encaminhado.
Mas chega o bendito fim de semestre (aquele, que parecia estar do lado de lá da Era de Aquário) e não tem nada pronto ainda.  A sensação é a ser pego em flagrante. Não há nenhum bom motivo  pra não ter feito antes, não é? De toda forma, o negócio agora é correr: catar referências, traçar um plano, resgatar o que já havia sido esboçado um tempão atrás e descobrir que tem que começar de novo.
Até aí, tudo bem. O problema é que não é um trabalho só, não é só um livro esperando para ser lido, nem há professores que entendam a sua carga de trabalho a ponto de não passar prova.
Mas é isso aí, a culpa é sua. Agora seja maduro e se esforce. Pesquise, leia, teorize se necessário- até o dramático momento de escrever tudo.
Aí a porca torce o rabo. É tanta coisa que nem se sabe por onde começar. “Como era mesmo que aquele cara dizia? Vou ter que reler… péra, deixa ver na Wikipédia. Mas e esse pedaço?” O trabalho evolui num crescente desespero. Há muitas referências, visões, caminhos… Quem mandou ler só resumo? Devia era assistir aula. “Merda de texto… Vou re-escrever…”
Daí já é uma da manhã, não tem texto, não tem esperança. Só resta o msn. Termina-se tudo domingo, um dia inteiro de trabalho dedicado. É fácil, vai dar tudo certo. Amanhã é o dia.

Sempre assim…

Novembro 18, 2007

Revirando os arquivos, encontrei esse relatório/tentativa de reportagem, que escrevi quando deu um surto de jornalista, no início do semestre. Só por curiosidade, aí vai.

Chegada à Rádio Verdes Mares prevista para as 14:30. Lembrar de usar calça e tênis dessa vez. Ouvidos atentos, olhos abertos e, nas mãos, o bloquinho para eventuais anotações. Após tanto ler sobre comunicação e publicidade em rádio, estava ansioso para conhecer tudo de perto.
De início, fomos conduzidos a uma grande sala, que parecia menor do que era por causa da grade que a dividia ao meio. Do lado de cá da grade, cadeiras verdes a nossa disposição. Do lado de lá, três mesas: uma repleta de microfones, uma grande mesa de som e a mesa alta com telefones (onze no total). À mesa dos microfones, o apresentador João Inácio Jr. lia com ímpeto uma grande mensagem sobre o pensamento positivo. Com ouvidos atentos, seu público deveria estar bebendo as palavras que fluíam do rádio- palavras de encorajamento, para suportar o trabalho pesado e as
dificuldades da vida. “Tudo vai dar certo”.A voz possante prendia a atenção. Logo, porém, o apresentador finda sua mensagem e entra no ar uma música de forró.

A sincronia com o técnico de som é incrível, não há nenhum momento de silêncio no programa e tampouco vozes se atropelando. A sincronia no rádio, já disse Ciro Pedroza, é
fundamental. Tudo tem que estar no devido lugar, no tempo exato. O silêncio angustia.
Vimos isso de forma fantástica com o radialista Beto Porto Alegre, a quem visitamos em seguida. Com habilidade surpreendente, é ele, sozinho, quem comanda o programa, locução e mesa de som. Multiplica-se ao conversar conosco, falar ao microfone com uma voz estrondosa, ler
suas pautas e inserir todos os sons e vinhetas no momento adequado. Fala sobre ser publicitário, nos0 deseja sorte. De rádio, conversamos pouco, vimos muito. Impressionante.

De volta ao estúdio do programa de João Inácio, o vemos- ou melhor, o ouvimos conversando com os ouvintes. Gente de voz simples que trata o locutor como amigo: lhe manda
abraços, sente a perda da Tigresa, morta durante uma lipoaspiração. O clima é de total intimidade; afinal, o rádio inventou a interatividade antes mesmo de ser inventado o próprio conceito. Os ouvintes brincam, interagem com o gaiato personagem “seu” Jereba, que serra chifres e distribui
abraços por trás, tudo usando de uma linguagem chula e um enxerimento de moleque. As ligações são para escolher a música do dia e trazem uma surpresa: a canção vencedora é um brega a moda antiga, de Baltazar. Algo diferente entre tantos forrós que ouvimos todos os dias.
Depois, João lê outra mensagem, mas não antes de fazer seus anúncios. A voz amiga, íntima de todos os dias, recomendando um produto como quem aconselha. O locutor confere credibilidade a propaganda. Impossível não lembrar do trabalho sobre os comerciais da a.m. Jingles,
testemunhais, peças de promoção… tudo ali, acontecendo fora do papel e além das teorias. Uma experiência e tanto ver uma rádio funcionando depois de tanto estudar sobre o assunto.

E, entre mensagens e comerciais, João transmite notícias. Nada mais que fofocas e ocorrências curiosas. Assim entretém seu público, com mensagens positivas e divertimento inócuo. Mass media? Provavelmente. Mas João não parece subestimar seus ouvintes. Pelo contrário, sua
atitude é de cumplicidade, como uma bobagem que se diz numa roda de amigos e não pretende mais que provocar risadas fáceis. Sem se falar em alienação. Lembro que o discurso de rádio é exatamente isso: espontaneidade. Um discurso artificialmente natural.
E João é bom nisso. Dividindo a cena com Regina e Cláudia, portadoras de notícias dos famosos, usa e abusa de “seu” Jereba, brinca com as mulheres e vai desenhando seu programa no improviso, impecavelmente sintonizado com o técnico de som. Talvez aí esteja a chave do comunicador de rádio. Talvez não seja tão artificial sua espontaneidade.
O programa vai até às quatro da tarde. João deixa o estúdio sob aplausos nossos. A despeito de qualquer discussão sobre alienação, é um grande comunicador. Levo comigo as lições
que consegui apreender assistindo sua atuação e as idéias que se vão enrodilhando em minha cabeça sobre trabalhar com rádio. Quem sabe, algum dia…

Novembro 15, 2007

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-Sabe, Márcio, tem horas que um homem- um homem de verdade- precisa parar de pensar. Porque, você sabe, pra ser um homem não basta só ter volume na cueca. Um homem tem que ter princípios, valores.
Às vezes você tem que refletir sobre a sua vida; o que você já fez até agora, o que ainda pretende fazer… Saber reconhecer os erros e planejar os acertos. Tem que haver um momento em que você olhe no espelho e se pergunte o quê, afinal, está fazendo consigo mesmo e se isso está te fazendo bem. Tem que…

-Tá bom, pai, eu vou tirar a barba.

-Ah, beleza. Que bom que nos entendemos.

(esse diálogo não aconteceu exatamente assim, mas, conhecendo papai, poderia ter acontecido. E essa peça é um anúncio de 1951, quando o capitalismo ainda apelava para sonhos ingênuos de desenvolvimento e rock’n'roll) 

Vai saber…

Novembro 14, 2007

Moro num mundo maior que a minha cabeça
Mas tão pequeno que cabe num namoro de calçada
Tantas pessoas… Meu bem, não esqueça
Que há espaço bastante pro Ser e o Nada.

Queria estar agora ao teu lado
Feito antes, em ti me perder
Nosso futuro desfez-se em passado
Mas um último instante guardei pra você
Pra poder te dizer:
“Je suis vraimont desolée”

Moro num mundo maior que você
Mas tão pequeno que não te contém
Tantas pessoas… brailes a ler
Pois tudo se estende dos olhos pr’além

Firebrand

Novembro 11, 2007

firebrand.jpg

Remexendo por aí, encontrei o Firebrand. É um tipo de Youtube mantido por empresas que vai veicular somente comerciais, como se fossem clipes de música. É uma iniciativa arriscada, sem dúvida, que levanta uma discussão interessante.
Será que a publicidade, como andam dizendo por aí, finalmente atingiu um outro patamar? A propaganda já e parte da cultura pop e tem plena capacidade de atrair olhares para seu formato, mais que o produto. Mas será que podemos consumir um comercial como produto cultural (artístico?), independente da mensagem nele veiculada? Isso soa pós-moderno demais pra minha cabeça.
Mas as empresas realmente vão precisar criar bons comerciais, para chamra a atenção do internauta para sua marca e mesmo para a sobrevivência do portal.
Será que vai?

Fontes:
Blue Bus
Future Lab

Apostas contra

Novembro 10, 2007

Noite de dançar, pular, ver gente, fazer besteira, acabar com a garganta, ter a satisfação de ver bandas locais fazendo um som legal, lembrar coisas antigas trazidas pelos versos do Amarante, xingar a Ludmila Amaral quando ela errava as letras das músicas, matar e sentir saudades, virar momentos do avesso, ver o La Scène ao vivo pela primeira vez num show quase particular, olhar pro teto no meio da canção e ver o céu, sentir o dia chegando na praia devagar, chegar em casa de manhã e dormir envolto em absolvição.

Muito bom o Tributo ao Los Hermanos, ontem, na Master Beach. O que mata é lembrar que, refeito o corpo e firmes as pernas, a vida volta ao normal….

Novembro 3, 2007

Problemas espirituais? Joga no Google!

redenção

Eu, lírico

Novembro 1, 2007
De repente me ocorreu que o mundo anda precisando de mais finais felizes de verdade. Não aqueles dos filmes, mas os que acontecem quando duas (ou mais) pessoas resolvem se unir e tentar construir um bom relacionamento. Sem tanto glamour e com algumas tristezas pelo caminho.
Esse vai p’ra Roberta, porque ela respondeu, e p’ra Tainara, que, apesar de não achar maravilhoso, gostou mesmo assim ;)

 

Ele arrumou o cabelo, ela viu com o canto do olho. Ele colocou a franja no lugar- p’ra cima, que achava bonito o despenteado- olhou em volta, feito estivesse perdido, e de repente cravou nela o olhar, feito tivesse encontrado. Mas ela fingia não notar nada. Olhava para frente só, esperando, sentindo ele tomar coragem.

Os dois estavam num banco da praça, mochilas postas de lado, um comecinho de fome batendo (que era quase hora do almoço). Haviam saído do colégio há um tempo já. Não se percebia a volta mais nenhum estudante uniformizado. Ela o viu brincando com a grama, arrancando lâminas de capim. Procurava flor, será? Besteira; ela que era boba, boba. Um velhinho passou, carregado de sacolas.

Agora ele é quem fixava o olhar longe, fingindo não saber que ela o esperava. O assunto entre os dois se esgotara há muito. Tudo o que faltava p’ra ser dizer era justamente o que não podia ser dito. As palavras enganchavam na garganta, embolando lá por dentro, se atrapalhando todas e deixando sair só um silenciozinho que parecia suspiro.

De certa forma, era um silêncio condizente, de palavra suspensa. Afinal, também a cidade parecia prender a respiração, na malemolência do meio-dia, no ar parado sob as árvores, no calor do asfalto. Ela sentiu o gosto de fome e ficou com medo de beijar com mau-hálito.

Silêncio de ânsia. Ela o viu pegar a mochila e abrir, fingir procurar alguma coisa e fechar de novo. Por fim, pareceu se decidir.

-Hã…- ele começou, levantando.- Olha, já tá tarde. É melhor a gente…

Ela o pegou pela mão e o fez sentar de novo, sem encontrar resistência. E esperou só mais um pouco, boba que era, pelo beijo trêmulo.