Posts de Outubro, 2007
Virtual Sex
Outubro 27, 2007Na janela de chat, o homem peca. Goza só, num abraço oco sem carne alguma a conjugar, tocando com lascívia o teclado. Do outro lado, em outra tela, outro corpo também goza. Homem, mulher, como saber? Não estão de fato conectados, só existem na cabeça um do outro. O outro nem existe. Na verdade, amaram a própria solidão, o próprio corpo e uma ilusão que, apesar de vir de fora, foi criada em suas próprias mentes.
Há pecado, desse modo? Não sabe. Mas sente a culpa corroendo a alma ao ver a webcam lhe encarando fria, como o olho de Deus.
“Saudade já é nome de mulher…”
Outubro 21, 2007No início, assim que ela se foi, ele sentiu-se livre. Era como soltar-se de um peso que lhe oprimia o peito e tolhia os movimentos. Mas não durou, aquela insustentável leveza. Com o tempo, sentiu a falta que ela fazia. No silêncio da mesa de jantar, nas janelas fechadas, no lado direito da cama, que não guardava mais o calor do corpo, enxergava sua ausência. Todas as noites pensava nela e em sua solidão e todas as noites era somente a saudade que deitava ao seu lado na cama, envolvendo num abraço oco o frio de sua carne intacta.
Algum tempo passou, sem que soubesse como- a ausência turvando-lhe o dia e a saudade velando-lhe o sono. Até que a dor já ia cansando de doer e sua amada tornava-se uma foto no porta-retratos, antes de verter em mera lembrança. Foi quando se viram novamente. Ela, mais bonita que no retrato da sala. Vinha pedir seu perdão, que a aceitasse de volta, sem ele não conseguia viver.
Ele, diante da mulher, só conseguia pensar por que não estava feliz; afinal tinha de volta seu amor e com ele o fim das longas noites de saudade. Mas, ao invés disso, sentiu um aperto esquisito no peito e percebeu o que nunca antes enxergara: não poderia voltar, estava apaixonado por outra.
Naquela noite, deslizou novamente para os braços da Saudade, que o esperava na cama, e fizeram amor até o amanhecer.
Outubro 20, 2007
Um dos motivos para se manter vivo é que, quando menos se espera, alguém bola alguma coisa genial que te faz ficar extático de novo
Coisas musicais
“Meio-dia na rua da Harmonia” – Parafusa
“Idem” – Móveis coloniais de Acaju
“Amor e Pastel” – Mula Manca e a Fabulosa Figura
“In Rainbows” – Radiohead
Bandas conscientes, todas com músicas disponíveis de graça no site, sem que tenhamos que praticar a criminosa e tediosa tarefa de baixar pelos e-mulas da vida. Agora, dentro da malévola Indústria Cultural…
“The Flying Club Cup” – Beirut
“Céu” – Céu
“Fome de tudo” – Nação Zumbi
“Condom Black” – Otto
… e tá bom, né?
Coisas impressas
“O grande Mentecapto” – Fernando Sabino
“A bolsa amarela” e “O sofá estampado” – Lygia Bojunga
“A Ilha” – Aldous Huxley
E vê se pára de reclamar que não tem nada p’ra fazer!
Outubro 17, 2007
Acabei de ler isso num número de Livros da Magia e, sabe, calhou com coisas que andavam pela minha cabeça. Não, eu não acho que pessoas que fazem publicidade sejam emocionalmente perturbadas- pelo menos não todas. É só que essa é uma profissão muito, muito complexa. Se for perguntar, provavelmente você vai acabar achando quem lhe diga que é uma profissão muito divertida, que é extremamente extenuante, que é necessário muita disciplina, que é preciso inspiração, que não existe inspiração, que é preciso conhecer tudo, ou só um pouco de tudo, ou tudo e mais um pouco…
A impressão que tenho é que da faculdade conhecemos o universo publicitário como que através de um boato: histórias se misturam a opiniões, impressões, mais histórias. Numa aula posso me empolgar e querer ser o maior publicitário do mundo, na outra me toma um terrívl desânimo com essa profissão dos infernos. Deve ser a tal crise universitária, não sei…
Coisas bacanas
A lista de discussão designGráfico, uma comunidade muito bacana de designers brasileiros, promove uma exposição virtual permanente de seus membros e colaboradores. Vale para iniciantes no design e para ver o que se anda fazendo por aí- e você também pode mandar seus trabalhos.
O endereço da exposição é http://www.flickr.com/photos/dg-minicartaz
Poema pop
Outubro 14, 2007Não sei ainda se isso é um poema ou uma letra de música (imagino o Nando Reis cantando), mas ela nasceu ontem à noite, dentro do Music Box. Olhando as pessoas dançando, fiquei imaginando porque estariam ali, quem seriam, se seriam felizes ou desoladas, tragicômicas ou alcoólatras. Eu sei, lembra Natasha. Mas bem podia acontecer.
A Pista
Arrumou cabelo e escondeu os olhos mortos
Por trás dos óculos escuros.
Desdenhou conselhos, de vermelho pintou os lábios
Então saiu p’ra quebrar muros
Escapou pela janela sem saber como voltar
E sem dinheiro ou documento.
Que diferença, se o motivo p’ra pirar
Não era mais que a textura de um momento?
Entrou na boate com um sorriso e um meneio de corpo
Que ela mesma achou ousado.
Deixou o som a envolver num abraço amorfo
E o ritmo guiar-lhe os passos.
Aceitou o copo e sentiu o gosto amargo
Que não era de refrigerante
Sentiu o corpo leve e o calor nos braços
E já não era como era antes.
On rocks!
Dançou a noite inteira sem tocar os pés no chão.
Cowboy!
Se acabou na pista com o álcool, o gelo e o limão.
De manhã, sem remorso, percebeu que a aurora ainda existe
E acaricia o mundo todo dia, mansa.
Cansaço no corpo e a lembrança de tudo que era triste
Perdida na pista de dança.
Coming back, again
Outubro 14, 2007É, eu tinha deixado o blog de lado, por motivos complexos que envolvem desde preguiça a filosofia aguda. Mas isso não interessa. Uma coisa que se aprende na Comunicação (e com alguns novos amigos) é que as idéias devem, sim, ser transmitidas. É nossa responsabilidade, como pessoas, exibir nossas opiniões e conceitos do mundo- nem que só para descobrirmos que estão errados. A falta de diálogo leva à ignorância, à intolerância. Ficar no seu cantinho resmungando não resolve nada, assim como não resolve quebrar instalações públicas. O caminho são as idéias, os motivos de cada um. Precisamos entender os porquês para descobrirmos o que anda errado.
Esse, por exemplo, é o meu porquê de continuar escrevendo, apesar do desânimo. Só quero mostrar meu mundo para você, nesse momento, nesse estado de espírito e com essa trilha sonora- e assim, quem sabe, eu consiga expandir o seu.
